quarta-feira, 2 de junho de 2010

ENSINO RELIGIOSO: 1º ANO



ENSINO RELIGIOSO: 1º ANO

APRESENTAÇÃO

Caros professores que atuam com o primeiro ano do ensino fundamental, este material elaborado pela equipe pedagógica da ASSINTEC pretende servir como inspiração para sua própria elaboração didática.
De maneira alguma queremos tornar este material uma fonte rígida para utilização em sala de aula, como uma espécie de manual. Intencionamos que estas sugestões e reflexões venham apenas a servir de ponto de partida, incentivo para que você organize suas aulas de Ensino Religioso conforme a realidade de sua turma e conforme a necessidade desta.
O material pretende ser flexível e oportunizar inserções, modificações, etc.
Desejamos, deste modo, poder contribuir em sua práxis voltada ao Ensino Religioso Escolar.

Equipe Pedagógica da ASSINTEC
Borres Guilouski
Diná Raquel D. da Costa
Emerli Schlögl


1. CRIANÇAS DE SEIS ANOS


De maneira geral nesta faixa etária onde a criança se insere no primeiro ano do ensino fundamental pretende-se sensibilizar o estudante para o reconhecimento de si mesmo e do outro, percebendo as diferenças inerentes e desenvolvendo comportamentos de respeito por si mesma e pelo outro, incluindo neste contexto o pertencimento religioso de cada um.
Deste modo a criança é preparada para o estudo posterior mais aprofundado sobre o Fenômeno Religioso, objeto de estudo desta disciplina. Do reconhecimento e respeito por si mesma rumará pedagogicamente para o reconhecimento da alteridade, desenvolvendo atitudes de cuidado e respeito, também pelo outro.
Para esta faixa etária as atividades sugeridas se organizam em torno da ludicidade. As diferentes linguagens artísticas e os jogos, brincadeiras, entre outras atividades objetivam a sensibilização do educando para com a diversidade religiosa.
Nesta fase de trabalho os alunos estarão identificando suas raízes religiosas e percebendo as diferenças presentes na sala de aula, estabelecendo atitudes éticas de valorização de si mesmo e do outro, de cuidado para com os sentimentos religiosos das pessoas e de respeito para com toda a gama de criaturas que compõem a biodiversidade.
Nesta faixa etária as crianças estão mais voltadas para o desenvolvimento de aspectos de socialização e encontram-se interessadas em compreender o porquê, o para quê das coisas, momento importante para se iniciar o processo de compreensão da alteridade e da importância da religião na vida de muitas pessoas.







2 - ASPECTOS LEGAIS DO ENSINO RELIGIOSO



A Constituição Federal estabelece a obrigatoriedade do Ensino Religioso para a formação básica da criança e do adolescente nos “... horários normais das escolas públicas de ensino fundamental” (Constituição Federal, Capítulo III, Seção I, Artigo 210 – parágrafo 1º).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9394/96, artigo 33, alterado, em sua redação, Lei n.º 9475/97, prevê a forma de organização do Ensino Religioso, ao estabelecer que:

Art. 33 – O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.

§ 1° - Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.

§ 2° - Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do EnsinoReligioso.

Deste modo, cabe a escola instrumentalizar o aluno favorecendo-lhe uma educação integral, contemplando assim as suas dimensões: física, mental, emocional, intuitiva, espiritual, racional e social. “Conhecer significa captar e expressar as dimensões da comunidade de forma cada vez mais ampla e integral. Assim, entendendo a educação escolar como um processo de desenvolvimento global da consciência e da comunicação entre educador e educando, à escola compete integrar dentro de uma visão de totalidade, os vários níveis de conhecimento: o sensorial, o intuitivo, o afetivo, o racional e o religioso” (PCNs – Ensino Religioso, 1997, p. 29).



3. OBJETO DE ESTUDO



O Ensino Religioso sendo área do conhecimento é diferente de “aula de religião”, ou catequese, ou de escola bíblica, ou ainda de qualquer modelo de doutrinação, não pressupõe a adesão e muito menos o proselitismo ou a propagação de uma determinada crença religiosa. Sua especificidade é a decodificação ou análise das manifestações do sagrado, possibilitando ao educando, o conhecimento e a compreensão do fenômeno religioso como fato cultural e social, bem como, uma visão global de mundo e de pessoa, promovendo assim, a formação do cidadão multiculturalista, portanto: “Aprendendo a conviver com diferentes tradições religiosas, vivenciando a própria cultura e respeitando as diversas formas de expressão cultural, o educando está também se abrindo para o conhecimento. Não se pode entender o que não se conhece. Assim, o conceito de conhecimento do Ensino Religioso, de acordo com as teorias contemporâneas, aproxima-se cada vez mais da idéia de que conhecer é construir significados” (PCNs – Ensino Religioso, 1997, p. 39).

O objeto de estudo do Ensino Religioso é o fenômeno religioso que compreende o conjunto das diferentes manifestações do sagrado no âmbito individual e coletivo. Este fenômeno acontece no universo de uma cultura, é influenciado por ela e, conseqüentemente, também a influencia.



4. METODOLOGIA



Consiste na organização dos passos a serem dados a fim de que o processo educativo se efetive cumprindo desta forma os objetivos propostos no plano curricular.

Sugere-se que cada aula parta de um ponto introdutório capaz de proporcionar motivação, organização do espaço interior e exterior, bem como apresente de maneira interessante a temática que será desenvolvida, nos referimos então ao momento intitulado: sensibilização.

No momento seguinte sugere-se como passo metodológico a realização da observação-reflexão-informação. Segundo o FONAPER (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso, 2000, p. 34 e 35) esses momentos se interligam, numa dinâmica, num movimento constante, portanto, não são estanques e nem isolados. Desse modo, busca-se decodificar e analisar os elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, enfocando os conteúdos em uma rede de relações e de forma progressiva, propiciando ao aluno a ampliação de sua visão de mundo, o exercício do diálogo inter-religioso e a valorização das diferentes expressões religiosas e místicas a partir do seu contexto sociocultural.

No terceiro e último momento realiza-se uma síntese na qual o resultado de todo processo de ensino/aprendizagem se estabelece por meio de uma proposta de comportamentos éticos.



5 – AVALIAÇÃO



A avaliação faz parte do processo metodológico, portanto, um elemento integrador no qual interagem aluno e professor. Seus critérios estão vinculados à organização curricular, entre outras funções no processo ensino/aprendizagem, permite ao professor conhecer o progresso do aluno e reelaborar a sua prática pedagógica quando necessário.

O seu registro poderá ser efetivado por meio de tabelas, gráficos, listas, análise das produções, atividades da auto-avaliação escrita ou oral na qual o aluno verifica o seu progresso na aprendizagem. Esse mapeamento de resultados informa se o aluno atingiu os objetivos e onde deve investir mais esforços para superar as dificuldades na aprendizagem.

Avaliar pode ser instrumento insubstituível no processo de conhecer aquilo que se apreendeu e como se aprendeu e também uma forma ímpar de verificação do instrumento metodológico adotado pelo sistema de ensino e professores.
A avaliação é um processo que influencia significativamente toda a prática escolar e as relações interpessoais. Esta pode ser entendida como parte integrante do processo ensino/aprendizagem e ter como função diagnosticar e orientar a intervenção pedagógica. O caráter da avaliação no Ensino religioso parte do princípio de inclusão, é processual e permeia toda a prática no cotidiano da sala de aula.


6. REFLEXÃO SOBRE OS CONTEÚDOS


ALTERIDADE: (Texto para o professor)

A alteridade compreende o reconhecimento da existência do diferente, do outro. Pretendendo, neste item, não apenas reconhecer esta existência múltipla, mas tratá-la com respeito e cuidado. Neste conteúdo a ética é amplamente estudada. Ethos é palavra de origem grega que significa caráter e é a parte da filosofia que trata do comportamento humano. São os costumes e maneiras de viver e conviver das pessoas, diz mais respeito à vida interior, ou seja, à subjetividade.
No próprio agir humano livre, ético, há um apelo radical e constitutivo à transcendência/imanência. A ética religiosa tem sempre o Transcendente/Imanente no horizonte, portanto, não se fecha em si mesma, abre-se para o mistério e converge para a religião, ditando aí um conjunto de princípios, padrões de conduta, prescrições, mandamentos e máximas que os fiéis ou adeptos devem assimilar e cumprir.
Alguns desses preceitos se repetem em quase todas as tradições religiosas do mundo, como por exemplo, não matar, não roubar, não praticar imoralidades, socorrer os necessitados, amparar os aflitos, amar o semelhante, promover a paz, entre outros.
A educação religiosa escolar está intrinsecamente ligada a ética, portanto, suas aulas deverão estar permeadas dos valores por ela apontados, pois, através desta vertente é que as religiões se aproximam umas das outras, sendo possível levar os educandos a perceberem que mesmo nas diferenças religiosas é possível uma convivência solidária, fraterna e pacífica.
O maior anseio do ser humano é ser feliz, aqui e na vida após morte, e todas as religiões procuram responder a este anseio da humanidade. Portanto, cabe ao educador buscar estes pontos comuns, mostrando ao aluno que apesar das diferenças dogmáticas, a busca comum de todos é a felicidade.
Conforme Sérgio Junqueira “nas diretrizes curriculares do Estado do Paraná uma das tarefas para o Ensino Fundamental no Brasil é favorecer a compreensão do direito e dever de cada um ser cidadão, ou seja, que saibamos participar social e politicamente da comunidade em que estamos inseridos, adotando no dia-a-dia atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito”.
Conforme Junqueria “... o processo de ensino-aprendizagem contribuirá para que o aluno posicione-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais”.
“O desafio da escola como um todo e da comunidade é de fazer com que o estudante perceba-se como parte integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente.
O aluno deverá desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania, identificando o próprio grupo de convívio e as relações que estabelecem com outros tempos e espaços;
Organizar alguns repertórios histórico-culturais que lhes permitam localizar acontecimentos numa multiplicidade de tempo, de modo a formular explicações para algumas questões do presente e do passado, conhecendo e respeitando o modo de vida de diferentes grupos sociais, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles.
O Ensino Religioso é um dos elementos da base comum nacional visando a valorização do pluralismo e da diversidade cultural presentes na sociedade brasileira, facilitando a compreensão das formas que exprimam a transcendência na superação da finitude humana e que determinam, subjacentemente o processo histórico da humanidade.
O conhecimento religioso enquanto patrimônio da humanidade necessita estar à disposição na escola e promover nos educandos oportunidades de se tornarem capazes de entender os movimentos específicos das diversas culturas, cujo substantivo religioso colabora no aprofundamento para a autêntica cidadania.
Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar as diferentes culturas e grupos que as constituem. Como a convivência entre grupos diferenciados é marcada pelo preconceito, um dos grandes desafios da escola é conhecer e valorizar a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade brasileira.
O Ensino Religioso não foge essa regra. Aprendendo a conviver com as diferentes tradições religiosas, vivenciando a própria cultura e respeitando as diversas formas de expressão cultural. O educando estará também se abrindo para o conhecimento. Não se pode entender o que não se conhece. O reconhecimento de que o fenômeno religioso é um dado da cultura e da identidade de um grupo social, cujo conhecimento deve promover o sentido da tolerância e do convívio respeitoso com o diferente. Essa relação com o conhecimento deve ser de forma facultativa ao aluno, assegurando a diversidade cultural do Brasil e vedada quaisquer forma de proselitismo, ou seja, sem direcionamento ou doutrinação” (JUNQUEIRA, 2006).


TRADIÇÕES RELIGIOSAS: (texto para o professor)

O estudo das culturas e tradições religiosas tem o intuito de analisar a raiz das manifestações religiosas, buscando compreender o modo de ser, pensar e agir das pessoas, pois, as determinações religiosas permeiam a vida cotidiana das pessoas.
Estudar as manifestações culturais e religiosas no nosso contexto social e no mundo, possibilita a compreensão do que é cultura, o que é fenômeno religioso, a importância e influência da religião na vivência diária das pessoas, como se estabelecem às relações na convivência com diferentes grupos religiosos
A religião é a forma concreta, visível e social de relacionamento pessoal e comunitário da pessoa com o Transcendente/Imanente.
A função primordial da religião é educar o ser humano para a vida e conduzi-lo a deus, para que ele possa compreender o sentido da vida e vivê-la em plenitude.
As tradições religiosas fazem parte das maiores realizações humanas. São sistemas organizados para preservar o conhecimento herdado ou adquiridos e passá-lo de uma geração a outra..São os contextos e a mola propulsora das descobertas da mente sobre a natureza e o destino dos seres humanos. São fontes inspiradoras da arquitetura, da música, da dança, do teatro, da pintura, da poesia, entre outras.
O ser humano é essencialmente religioso, tem necessidade do sagrado e busca de uma ou de outra maneira o sentido mais profundo de sua existência, mesmo na negação da religião encontramos uma preocupação humana sobre o tema.
Conforme se constata ao longo dos séculos, há pessoas e grupos que morrem e matam por sua religião, por esse motivo, as tradições religiosas se envolvem em disputas sangrentas e intransigentes, em nome de Deus. Esse é o paradoxo das tradições religiosas, aquilo que deveria aproximar mais os povos e as pessoas muitas vezes é o que as afasta. O Ensino Religioso visa reconhecer a diversidade das crenças respeitando-as e preservando-as enquanto estas estejam comprometidas com a renovação do mundo, com a paz, a fraternidade universal, o amor e o cuidado para com a vida em suas diferentes formas.
O ser humano é criativo por natureza. E ao fazer suas indagações, cria as próprias respostas e se organiza socialmente em torno delas. É sabido que o ser humano possui dimensão religiosa peculiar à espécie. E, esteja ele onde estiver - influenciado pela história e geografia que o cerca -, criará seus mitos e se cercará de deuses. Através da linguagem poética dos rituais se aproximará da graça divina e mobilizará, em seu interior, forças que o auxiliarão a viver.
Mas o ser humano não apenas faz religião como também a nega. Este é o movimento dialético que impulsiona os indivíduos: ora a devoção e prática da religiosidade, ora o afastamento do ato religioso, para questioná-lo e iluminar o fenômeno sob o ponto de vista da racionalidade, outra dimensão estritamente humana.
Enfim, para que o professor encontre condições apropriadas para o estudo, é fundamental que, por tempo necessário, se afaste emocionalmente dos conteúdos e compreenda, livre de preconceitos e sem fazer comparações prévias, que cada religião se estrutura de acordo com toda a gama de fenômenos aos quais ela esteve sujeita.
Sem dúvida alguma, o que está por trás de toda a intolerância religiosa é o ato de desconhecer, ignorar a complexidade antropológica que alicerça o desenvolvimento de cada tradição religiosa.
O conhecimento religioso produzido pela humanidade é patrimônio desta mesma humanidade. Por muito tempo se questionou a relação entre saber e poder, e não é justo que o conhecimento religioso seja mantido fora do alcance da grande maioria das pessoas.
Se a prática educacional objetiva a tomada de um grau maior grau de consciência, conhecimento e compreensão da realidade na qual agimos sob forma teórica e prática, há o desafio constante de se trabalhar uma pedagogia que favoreça a reflexão sobre o fenômeno religioso. É necessário que se aborde o conhecimento das manifestações religiosas, e que se compreenda a complexidade da questão, a fim de que todo este processo educativo conduza ao diálogo, possibilitando a vivência inter-cultural, elemento básico para que se estabeleça a cultura da paz, na mediação de conflitos.
“Ensinar não é transferir conhecimento” ( FREIRE1999), na questão do Ensino Religioso podemos considerar que trata-se de criar condições para que o estudo do Fenômeno Religioso seja realizado em parâmetros coletivos de construção do conhecimento, a fim de que atue na prática coletiva das pessoas, transformando a realidade em uma possibilidade de vivenciar o respeito à alteridade, por meio da compreensão do mundo religioso que compõe a diversidade cultural.
Numa dimensão antropológica, o Ensino Religioso como uma das áreas de conhecimento, favorece a compreensão das diferentes expressões religiosas, possibilitando uma visão global de mundo e de pessoa.
Analisar preconceitos pode ser uma trajetória, na qual o professor de Ensino Religioso venha a conhecer melhor, mais profundamente. Segundo Voltaire, em seu dicionário filosófico, os preconceitos podem ser de natureza muito diferente, ele cita os preconceitos da ordem dos sentidos, os físicos, históricos e os religiosos.
Nesta área do conhecimento, ao se debruçar sobre este último tipo de preconceito, o professor estará, sem dúvida, se vendo com todas as outras formas, uma vez que todo conhecimento se manifesta em rede de conhecimentos, nada é isolado, e isto deve ser considerado.

7. SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA TRABALHAR O CONTEÚDO ALTERIDADE

CONTEÚDO: ALTERIDADE

TEMA 1 : Estou me conhecendo melhor e aprendendo a respeitar a mim mesmo e aos outros

Objetivo: Perceber a si mesmo identificando a religião da família compreendendo o significado da palavra respeito e suas aplicações.

Sugestões de atividades:
O professor inicia conversando com seus alunos sobre o valor que cada um possui. Pode ler o seguinte texto:
Todos nós nascemos da união de duas pessoas, um homem e uma mulher, que são papai e mamãe. Desde o dia em que você nasceu você convive com pessoas diferentes e faz, também, coisas diferentes. As famílias muitas vezes seguem uma religião, antes mesmo dos filhos nascerem. Na sua família foi assim?
O seu corpo é especial. Você é especial. Sua religião é especial! Cuide-se bem e valorize o que você tem!
Neste momento o professor pode encaminhar um trabalho de desenho e pintura envolvendo imagens que mostrem pessoas cuidando de seu corpo, cuidando dos outros, fazendo suas práticas religiosas que despertam nele um sentido de cuidado e amor.
Os estudantes poderão levar suas produções para casa colocá-las em um lugar de destaque para que possam diariamente verificar se estão realizando as atitudes representadas por meio dos desenhos.
Pedir que os estudantes tragam uma caixinha de fósforo vazia. O professor trará papel de presente recortado a fim de embrulhar cada caixinha.
As crianças colocarão nesta caixinha algo que simbolize a si mesmo e que sirva de presente para o outro. Exemplos: desenhar seu rosto sorrindo; colocar uma pedrinha pintada com sua cor preferida; uma bolinha de gude; uma balinha representando que ele pode ser doce para o outro, etc.
Neste momento os alunos colocam os presentinhos dentro da caixinha, empacotam e por meio de um sorteio acontecerão as entregas. Cada criança deverá receber um presentinho.
O professor pode refletir com os alunos qual é a maneira melhor de receber e dar um presente, quais as atitudes de respeito que se deve ter ao receber um presente, que é sempre um pouco do outro.
Após estas atividades o professor sugere nova reflexão enfocando que cada pessoa possui ou não uma religião, que muitas vezes vem da família, constituindo um valor familiar importante que ajudas as pessoas a se sentirem amadas e valorizadas, bem como a amar e a valorizar a si mesma e aos outros.

Avaliação: Verificar se o aluno compreende o que significa cuidar de si mesmo e do outro demonstrando atitudes de valorização para com a expressão religiosa das pessoas.


CONTEÚDO: ALTERIDADE

TEMA 2: Eu respeito os outros nas suas diferenças pessoais, culturais e religiosas.

Objetivo: Reconhecer o direto a diferença compreendendo que as pessoas possuem o direito de ter ou não uma religião.

Sugestão de atividades:

Fazer com os estudantes o contorno do corpo de cada um em folha de papel grande, então pintá-lo, salientando a diversidade de cores utilizadas neste processo.
Ao término, os contornos desenhados serão recortados e fixados na parede, um ao lado do outro a fim de que se percebam as diferenças nas cores e formas.
Na etapa seguinte, os alunos desenham um coração, pintam um lado e recortam. Este coração será levado para casa e dentro dele serão escritos ou desenhados, ou ainda colados elementos que representem o pertencimento religioso da família. Orientar os estudantes para o caso de não havendo religião o interior do coração poderá ser preenchido com os valores praticados por aquela família. Ex: honestidade, caridade, bondade, hospitalidade, respeito...
Os alunos trarão os corações já preenchidos e sentados em círculo compartilharão o conteúdo dos mesmos e depois colarão no lugar devido sobre o contorno de seu próprio corpo.
Neste momento, o professor pode conduzir a reflexão sobre o direto a diferença levando a turma a compreender que as que as pessoas possuem o direito de ter ou não uma religião. Para aquelas que possuem, a religião representa um aspecto em suas vidas de grande importância, ajudando-as a viver melhor, estimulando-as a terem atitudes éticas e amorosas. Portanto,, sua religião é um elemento central em suas vidas, como o coração humano, merecendo respeito e reverência. O professor pode também salientar que o fato de algumas pessoas não pertencerem a determinada religião não as faz melhores ou piores do que as outras, e que esta opção é direito das pessoas que mesmo não freqüentando uma instituição religiosa, possuem em seu coração valores éticos, e buscam da mesma maneira a felicidade.

Avaliação: O aluno nesta etapa do conhecimento deve ter clareza sobre o direito que as pessoas possuem de seguir ou não uma religião ou igreja, esta clareza intelectual deve ser seguida por atitudes coerentes em relação a este aprendizado.

CONTEÚDO: ALTERIDADE

TEMA 3: Eu e a natureza somos expressões da vida

Objetivo: Reconhecer que a vida em suas variadas formas é sagrada na concepção das diferentes religiões do mundo.

Sugestões de atividades:
Ler para os estudantes:
Pessoas, animais, plantas, pedras, ar, flores, estrelas, lua, sol, mar, rios, montanhas e muitas outras coisas mais, fazem parte daquilo que chamamos de natureza.
Muitas religiões do mundo ensinam que devemos respeitar a natureza, pois ela é sagrada, ensinam também que dela depende a nossa e todas as outras formas de vida.
Eu e você fazemos parte da natureza!

Vamos conhecer agora os quatro elementos que fazem parte da natureza: fogo, ar, água e terra, por meio de uma viagem imaginária.
As crianças poderão estar deitadas no chão ou apenas inclinadas sobre a carteira. Se puder colocar uma música suave de fundo, com barulho de natureza, será bom. O professor com voz pausada e tranqüila conduzirá este momento da seguinte forma:
Vamos imaginar que somos uma sementinha colocada na terra, esta grande mãe que acolhe a todos os seres.
É noite...estamos dormindo. Devagarzinho o sol começa a despontar com seu calor, na cor do fogo que nos aquece. (pausa)
Vem a chuva que molha nossa casquinha. Chuva é água que nutre, que limpa e refresca.
De novo brilha o sol lá na superfície da terra, e nós aqui em baixo estamos quentinhos. Passa o tempo e nossa casquinha se rompe, vamos crescendo, crescendo, rumo à luz e ao ar do mundo da superfície.
Viva! Já estamos vendo o mundo em sua diversidade, sentindo o vento em nosso caule e folhas, e vendo o sol. Como tudo é lindo aqui! A força que nos fez brotar existe também fora de nós, pois vemos pássaros, outras plantas, pedras... Há tanta vida, tanta força dentro e fora de mim!
Agora compreendo o que as religiões dizem sobre a vida ser sagrada.

Fazer com as crianças uma pequena dança circular, comentando que também as danças da paz são sagradas e que pessoas do mundo todo estão se reunindo para dançá-las a fim de compreender que todos são importantes e podem ser respeitados nas suas diferenças.

Avaliação: O aluno deverá ser capaz de relacionar a vida, a natureza e seus elementos com o conceito de sagrado.

CONTEÚDO: ALTERIDADE

TEMA 4: Eu respeito os outros nas suas diferenças pessoais, culturais e religiosas.

Objetivo: Compreender a existência das diferenças religiosas considerando-as com respeito.

Sugestão de atividades:
Mostrar aos alunos pequenos trechos de filmes, nos quais ele possa perceber que homens, mulheres e crianças do mundo praticam sua religião de maneiras diferentes.
Sugerimos para este momento o início do filme Baraka, primeiros minutos do filme no qual são apresentadas diferentes imagens de rituais religiosos do mundo.
Conforme wikipédia, enciclopéia virtual, Baraka (1992) é um filme documentário experimental, dirigido por Ron Fricke, cinematografista de Koyaanisqatsi, o primeiro da trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio. Frequentemente comparado a Koyaanisqatsi, o assunto principal de Baraka é, de fato, similar, incluindo filmagens de várias paisagens, igrejas, ruinas, cerimônias religiosas e cidades, misturando com vida, numa busca para que cada quadro consiga capturar a grande pulsação da huminidade nas atividades diárias.O domumentário foi filmando em 70mm colorido, em 23 países: Argentina, Brasil, Camboja, China, Equador, Egito, França, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irã, Israel, Itália, Japão, Quênia, Kuweit, Nepal, Polônia, Arábia Saudita, Tanzânia, Tailândia, Turquia e EUA. Ele não contem diálogos ou cenas coesas, mas apenas imagens e som ambiente, conversas ou cantos, que podem ser considerados o narrador latente de uma intenção universal espiritual.
Após os estudantes assistirem a um pequeno trecho do filme, não mais de 5 minutos, poderão receber folhas de papel em branco na qual desenharão imagens da vida religiosa de sua família e/ou de sua instituição religiosa.
Após pesquisar em casa o nome de sua religião trará para a sala de aula a informação e o professor, no caso do aluno ainda não conseguir escrever, colocará na folha de seus desenhos a identificação da religião que os desenhos expressam.
As produções poderão ser socializadas da seguinte maneira, o professor recolhe as folhas devidamente assinadas pelo autor e então entrega uma para cada estudante, de maneira a trocar as folhas entre duplas. O estudante observa os detalhes da folha que recebeu e se torna entrevistador, neste momento, pensando nas perguntas que gostará de fazer ao elaborador dos desenhos. Feito isto sentam em duplas para que se realize a entrevista, cabe salientar que o entrevistador deve manter postura de curiosidade e respeito pela produção do entrevistado.
Ao término, cada entrevistador apresentará o trabalho do entrevistado salientando aspectos que considera relevante.Ex: meu colega desenhou a mãe dele ajudando os pobres, porque na sua religião fazem isto uma vez por mês.
O professor pode ainda complementar provocando reflexões na turma acerca dos comportamentos éticos inspirados pelas diferentes religiões.

Avaliação: Identifica as diferenças pessoais, culturais e religiosas vivenciando o respeito às pessoas e demais seres da natureza.
8. SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA TRABALHAR O CONTEÚDO: TRADIÇÕES RELIGIOSAS

CONTEÚDO:TRADIÇÕES RELIGIOSAS

TEMA 1: Conhecendo várias culturas religiosas por meio das diferentes modalidades artísticas.

Sugestão de texto para ser lido para os estudantes:

O mundo em que vivemos é muito grande e habitado por pessoas de diferentes etnias, com por exemplo: chineses, brasileiros, africanos, indígenas, italianos, alemães...
Essas pessoas são diferentes, fazem religião de modo diferente, comem comidas típicas, seus corpos são de formas e cores diversas, brincam ao seu modo, falam outras línguas... São tão diferentes por fora, em suas maneiras, mas todos possuem sentimentos, emoções e sonham com um mundo melhor.
Em cartazes grandes o professor trará palavras em diferentes idiomas a fim de complementar esta reflexão que leva o estudante a reconhecer a presença de diferentes culturas. Abaixo das palavras cada estudante colará ou desenhará uma imagem de prática daquele povo. O professor complementará colando uma imagem de prática religiosa em cada cartaz.
Ex: No Brasil, país da diversidade religiosa o professor pode colar diferentes imagens representando esta diversidade de crenças. Na cultura italiana pode colar imagens do papa, na cultura africana imagens de danças africanas, tambores, orixás e na cultura oriental pode colar imagens de uma pessoa meditando, um templo budista ou xintoísta.
Na falta de imagens para colar as mesmas poderão ser desenhadas pelo professor e pelos alunos.
Sugestões de palavras para os cartazes:

Abaeté: (indígena)
Religiões nativas dos povos indígenas
Significado: pessoa boa , honrada

Paz! (Português)
Diversas culturas e religiões
Significado: paz

Amore (Italiano)
Catolicismo
Significado: amor

Kalunga (Banto)
Candomblé, Umbanda
Significado: aquele que por excelência junta: Deus

Tao (Chinês)
Taosímo
Significado: caminho


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES PARA O PROFESSOR SOBRE AS RELIGIÕES INDÍGENAS; AFRO-BRASILEIRA, TAOÍSMO E CRISTIANISMO


RELIGIÕES INDÍGENAS

Os povos indígenas são os primeiros moradores e guardiões desta terra conhecida pelo nome de Brasil. É preciso reconhecer que, como habitantes do Brasil¸ reconhecemos que eles cuidaram e valorizaram esta terra muito bem, coloriram nossa paisagem religiosa com uma riquíssima variedade de mitos, símbolos, ritos e com uma sacralidade que se estende e abarca toda a vida, seja ela humana, vegetal, animal, mineral.

A estrutura fenomenológica se suas manifestações religiosas apresentam as seguintes características:

· busca explicação especial para os fenômenos;
· sistema mitológico complexo;
· uso de mecanismos mágicos para interceder;
· liturgia característica de defumação, incorporação, transe e uso de remédios retirados das plantas e ervas;
· a morte é o corte abrupto da vida e início de outra vida repleta de alegria;
· alguns dividem a alma em duas forças, uma das quais permanece na terra em situação de perigo para os seres vivos e outra parte vai para o paraíso.
A estrutura da religião indígena é sólida e muito bem elaborado, permitindo a equilibração do homem com o meio intra e extra psíquico. A harmonia deste com a mãe terra é condição básica para sua sobrevivência e, portanto, elemento inseparável de seus ritos e encontro com a transcendência.

Na tradição indígena, a pessoa, ou seja, o líder religioso, é o Pajé ou o Xamã, que são pessoas que passam por uma experiência psicológica transformadora que os levam a se voltarem inteiramente para dentro de si mesmos. O inconsciente inteiro se abre e o Pajé mergulha nele. Certas vezes, esse homem - ou mulher - dotado de poder religioso ingere substâncias alucinógenas, com o intuito de, em rituais, atingir estados alterados de consciência, entrando em contato com entidades do mundo dos espíritos. Neste caso, os espíritos ruins terão se ser controlados ou combatidos, os bons terão de ser convencidos a ajudar.

Hoje, as nações indígenas reconhecem seu lugar e lutam por seus direitos, tentando preservar sua manifestação cultural e religiosa bem como o fortalecimento de seu povo.


RELIGIÕES AFRODESCENDENTES


O Brasil, após ter sido invadido pelos portugueses, se torna um país que receberá inúmeras influências culturais e religiosas, entre elas o Candomblé e a Umbanda, duas tradições religiosas que tiveram origem nos cultos africanos.

A palavra Candomblé significa cantar e dançar em louvor e é de origem banto. A palavra macumba, de origem angolana, está ligada a um instrumento musical ou a uma dança (jongo, caxambú) e no Brasil designa um culto.

Ao nos referirmos ao culto dos Orixás, certamente estamos nos deparando com o monoteísmo, uma vez que a religião Nagô admite a existência de um Deus supremo. Este ser é chamado Olorum (olo = sagrado e orum = céu). Esta divindade não é admoestada pelas pessoas e nem invocado. Mora no céu e não se relaciona diretamente com os seres humanos. A relação, o contato do divino com o humano se fará através dos Orixás. Os Orixás têm origem nos ancestrais dos clãs africanos divinizados há mais de 5000 anos. Na África Ocidental, existem mais de 200 Orixás e eles personificam características humanas, sendo que seus filhos são os herdeiros destes atributos.

O pecado não faz parte deste mundo religioso. Porém, por influência do Catolicismo, o peso deste se torna maior, aqui no Brasil.

Muita confusão se faz entre Candomblé e Umbanda. eis alguns dados diferenciais:
Umbanda -
· é sincrética e sua base é o africanismo, espiritismo, amerindismo, catolicismo, ocultismo;
· uso de vestes brancas;
· altar com imagens católicas, pretos velhos e caboclos;
· finalidade de cura material e espiritual;
· batiza e consagra;
· sessões formando agrupamentos dispostos em pé, salões ou terreiros;
· magia branca.

Candomblé -
· sincretismo entre religiões africanas;
· as vestes são coloridas com insígnias de cada Orixá;
· os Orixás não são equiparados aos santos católicos;
· altar interno;
· não aceita, em geral, a reencarnação;
· batiza e consagra;
· sacrifica animais;




TAOÍSMO

Tao Chiao, ou o taoísmo é termo chinês que significa: ensinamentos sobre o caminho. O taoísmo religioso incorpora idéias e imagens dos textos taoístas filosóficos, em especial o TAO TE CHING, bem com a teoria do Yin-Yang, a procura da imortalidade, a disciplina mental e física, a higiene interior, a alquimia interna, a cura e o exorcismo, os panteões dos deuses e espíritos e os ideais de estados teocráticos.
O taoísmo religioso apareceu na forma de movimentos distintos no fim da dinastia dos Han posteriores (23-220 EC). O mais importante foi o movimento Mestre Divino ou Cinco Celamins de Arroz, fundada por Chang Tao Ling (34-156) em Szechan. Diz-se que Chang alcançou a imortalidade logrando o domínio de centenas de espíritos cujos nomes e funções identificou e preservou para seus discípulos nos Registros Canônicos da Aliança Auspiciosa. À testa desse panteão estão os Três Puros, os Senhores do céu, da terra e do homem. O conhecimento desse registro e de outros semelhantes determina a posição do sacerdote ortodoxo nas tradições taoístas oficiais.
O mais famoso e influente texto taoísta é o famoso Tao Te Ching, tradicionalmente atribuido a Lao-Tsé, que se supõe ter sido contemporâneo de Confúcio. É, todavia, impossível identificar com precisão a autoria da obra ou a data desse texto.
De acordo com o Tao Te Ching, a essência e fonte do céu e da terra, indomada e imutável, pode chanar-se Tao. Conquanto produza e sustente todas as coisas, o Tao o faz sem nenhuma ação volitiva ou intencional. Os aspectos passivo e produtivo do Tao são descritos como não-Ser e Ser respectivamente. Para estar em harmonia com o Tao, o sábio soberano precisa não ter desejos, intenções ou ações volitivas. Se de fato alcançar este estado de não-fazer, alcançará a tranqüilidade e estará apto a governar o império.
Todo comportamento consiste em opostos ou polaridades. Se eu fizer alguma coisa sempre e repetidamente, a polaridade aparecerá.
Por exemplo:
· o esforço excessivo para ser bondoso pode ser uma forma de egoísmo.
· um comportamento demasiado resoluto produz o seu oposto:
· a obsessão de viver insinua preocupação com a morte.
· a verdadeira simplicidade não é fácil.
· o fanfarrão, provavelmente, se sente pequeno e inseguro.
· quem quer ser o primeiro acaba sendo o último.
“O líder judicioso, estando ciente de como funcionam as polaridades, não pressiona para que as coisas aconteçam, mas deixa o processo se desenrolar por si mesmo”.
“O líder ensina com exemplos e não com preleções aos outros, sobre como deveriam ser”.
“O líder sabe que as constantes intervenções bloqueiam o processo do grupo”.
“O líder, pois, não insiste para que as coisas se produzam de uma certo modo”.
O líder judicioso não busca muito dinheiro ou louvor. Não obstante há sempre abundância de ambos”.

CRISTIANISMO

A história do Cristianismo foi marcada por diversas tensões, resultantes das sucessivas transmissões da mensagem de Jesus para além das fronteiras da Judéia. O Cristianismo nasceu dentro do mundo cultural judaico e se inculturou no mundo helênico e no Império Romano.
Os primeiros discípulos de Jesus não tinham dificuldade em praticar a fé judaica. Freqüentavam o Templo e observavam a lei. Mas tinham sido chamados por Jesus e haviam participado de seu convívio, desde quando começou a pregar na Galiléia, destacando-se João Batista, até a sua morte. Depois que tiveram certeza de que Jesus estava vivo e era de fato o Messias, começaram a se reunir entre si. Aos poucos foi crescendo o número dos que os seguiam no mesmo caminho.
Estabeleceu-se entre eles um regime comunitário, em que compartilhavam o pão na alegria, como o havia disposto o próprio Jesus na última ceia que tomou com os apóstolos, e punham em comum os seus bens, dando consistência efetiva e significado pleno à refeição tomada em comum na ação de graças, a eucaristia.
Não se pode precisar exatamente a partir de que momento começaram as dificuldades entre o grupo dos que reconheciam em Jesus o Cristo e os notáveis das comunidades judias, no templo e nas sinagogas, os sumos sacerdotes, os escribas, os doutores da lei e os fariseus. Sabemos, entretanto, que a prática dos grupos cristãos era muito atraente, sobretudo para os prosélitos, isto é, pagãos que se convertiam ao judaísmo. Os judeus os consideravam fiéis de segunda categoria, por razões diversas, ligadas ao fato de que não eram circuncidados e estavam habituados a práticas alimentares e outras, vedadas aos nascidos no judaísmo.
O cristianismo só veio a se apresentar como prática religiosa distinta do judaísmo, no momento em que as circunstâncias históricas adversas, criadas pela apego dos judeus às suas próprias tradições, obrigaram os cristãos a se organizarem por si mesmos, em terreno pagão.
O cristianismo é a religião dos seguidores de Jesus. Ora, ele é sobretudo um fato, um dado histórico. Foi um homem fiel e corajoso, um mestre em sensibilidade, um líder e um poeta que arrebatava multidões, uma personagem incômoda e questionadora dos hábitos sociais e religiosos de seu tempo, denunciou a hipocrisia dos grandes e exaltou os pequeninos, a contrição dos pecadores e pecadoras, a humildade dos que não se envaideciam com o dinheiro e o poder.
O movimento de abertura do cristianismo para o mundo helênico, iniciado por São Paulo, tornou-se definitivo com a sucessiva dispersão dos judeus. São Paulo defendeu com a palavra e com a ação, a idéia de que a mensagem de Cristo não era exclusividade do povo judeu, mas devia ser transmitida a todo os povos.
Os gregos destacavam-se pelo seu elevado padrão cultural, e por sua maneira filosófica de compreensão do mundo e do ser humano. Por conseqüência, foi necessário que se estabelecesse logo um diálogo entre a fé cristã e o pensamento grego. Essa tarefa passou a ser desenvolvida desde o século II pelos apologistas. Embora a Igreja tenha combatido a gnose ou os cultos gregos, essa maneira de considerar o mundo religioso, envolto num clima de mistério, passou a ter uma influência muito forte no ritual cristão. O mistério divino é enfocado como distante e elevado, diante do qual o ser humano deve curvar-se em solenes atos de adoração.
Independente do resultado histórico da inserção do cristianismo no mundo cultural grego através da ação de Paulo, seu projeto para transmissão e ampliação da fé em Cristo não estava vinculada a nenhuma cultura específica, mas deveria revestir-se constantemente das formas culturais de cada povo ou grupo humano a ser atingido por ela.
O cristianismo no passar dos tempos sofreu muitas subdivisões, a primeira formou o catolicismo apostólico romano e a igreja ortodoxa , a segunda no período da reforma protestante criou as igrejas evangélicas que continuam a se subdividir até os dias de hoje.

Sugestões de atividades:

Mostrar aos alunos expressões artísticas sacras, iniciando pela arte indígena.
Sugerimos contar um pouco sobre o que são as tradições indígenas e mostrar aos alunos imagens de pinturas corporais entre outras artes, salientando que o corpo pintado conforme este ou aquele animal expressa o desejo de absorver qualidades do bicho estampado na pele.
Sugerimos que o professor apresente imagens, como segue em exemplo, por meio de transparências, fotografias, cartazes, etc. de arte indígena e que estabeleça , então, um diálogo com seus alunos a fim de compreender alguns elementos da cultura em questão, principalmente elementos que compõem o quadro do fenômeno religioso.





PINTURA DE CORPO , INDÍGENA






Elementos interpretativos:
Na cultura religiosa indígena a dança está presente em praticamente todos os rituais, para ela as pessoas se preparam com ornamentos diversos, inclusive com pinturas ritualísticas do corpo. Desde as crianças até as pessoas mais velhas da aldeia recebem a pintura e ocupam papel importante no ritual religioso. Quando o índio ou a índia se pinta está realizando uma comunhão importante com a natureza, pois sentem-se unidos a esta, na medida que carregam no seu corpo a representação de um poder desta. Ex: a pintura do corpo imitando a pelagem da onça trará para os índios a força e o conhecimento desta.

Dança do Candomblé

Para falar sobre a arte africana sugerimos que o professor mostre imagens de uma dança do candomblé.
Cada Orixá tem uma qualidade de energia, um ritmo e próprios cânticos que são tocados com três Atabaques, tambores de diferente medida. Nas festas dos terreiros o Orixá se revela no corpo dos filhos de santo (em estado de transe), dançando ao próprio ritmo, numa dança peculiar.

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